Friday, October 16, 2009

Uma Equação de Membros Desiguais


Um dos melhores professores que tive até hoje dizia-me há pouco tempo, enquanto falávamos num corredor da faculdade, que cada vez mais achava que as pessoas eram estúpidas. Na altura, tomei aquela frase como mais uma prova do seu bom humor, e fiquei-me por ali sem sentir necessidade de a processar.

Um assunto sobre o qual muito se tem escrito e debatido é a igualdade entre géneros, não apenas no tradicional sentido lato, mas também numa acepção mais específica. Parando um pouco para reflectir, afinal, o que penso eu de tudo isto??? Bem, penso que o meu professor tem toda a razão!

Para mim, homens e mulheres não devem, jamais, cair na estupidez de se quererem igualar, porque são seres completamente diferentes. Partilham a mesma concepção biológica, quer em termos originários, quer em termos microscopicamente estruturais, mas são inegavelmente diferentes. Claro que não coloco, nem posso conceber colocar, qualquer tipo de distinção entre os direitos de uns e de outros. Quero eu dizer que ambos devem ser tratados exactamente da mesma forma enquanto cidadãos, isto é, devem ser vistos com os mesmos olhos pela Constituição, Justiça, Educação, Saúde, etc etc. Em termos pragmáticos, um homem deve ser absolutamente indistinguível de uma mulher em todas as matérias que envolvam a condição humana, a dignidade, a personalidade jurídica, e tudo o resto que não se anule com aquilo que escreverei de seguida. Neste sentido, o trabalho e evolução que se têm feito parecem-me claramente louváveis e producentes - e muito mais há ainda a fazer pelo globo fora, como facilmente percebemos olhando para o Médio Oriente.

Mas as coisas têm, a meu ver, tomado um rumo bacoco e obsessivo. Apesar das oportunidades deverem ser virtualmente iguais para os dois sexos, a concretização prática desta proposição não faz qualquer sentido. Os homens são, regra geral, seres física e mentalmente mais fortes, e estão preparados para desempenhar tarefas para as quais as mulheres não estão. Deixo um exemplo bem concreto: a oportunidade de obter uma posição numa empresa de construção civil deve estar em aberto para todos, mas isso não implica que as mulheres devam agora começar massivamente a ser trolhas, por variadíssimas razões - muitas delas salvaguardando mesmo a sua segurança e saúde. Estabelecendo uma análise paralela para o sexo masculino, também os homens devem entender que muitas profissões não se lhes adequam, apesar de, novamente, lhes deverem ser alcançáveis. Deixando um exemplo, os cargos de educação infantil devem ser privilegiadamente dirigidos ao sexo feminino, por serem as mulheres bastante mais sensíveis e dotadas de mecanismos paternais do que os homens. De modo a que fique bem claro, os homens não são melhores nem piores do que as mulheres - são DIFERENTES! Quero também afirmar que sou, publicamente, contra qualquer movimento sexista, independentemente de quem o conduz. Para mim, machismo e feminismo são coisas completamente infantis.

Consigo adivinhar que muita gente esteja agora a pensar: "Ah, mas eu tenho uma amiga que é óptima construtora civil", ou, "O meu primo é um excelente educador de infância", e aquilo que vos posso dizer é: muito bem, não tenho nada contra isso, mas eu nunca escolheria uma mulher para construir a minha casa, nem um homem para ajudar o meu filho a crescer. Por quê??? Porque respeito a História e a Estatística!

Outra coisa que acaba por ser caricata é o retrocesso que muitas vezes se verifica. Como vamos percebendo, as taxas de natalidade nos países em que estes movimentos se têm desenvolvido são cada vez menores, o que impacta directamente na redução da população activa. Mas aquilo que importa analisar são os incentivos reivindicados pelo sexo feminino para inverter esta tendência, tais como: alargamento da licença de maternidade, aumento dos subsídios atribuídos, maior flexibilidade de horários, (...). Ora, isto acaba por ser uma forma de retrocesso; se se reivindica uma igualdade de direitos de acesso a todos os cargos, devem aceitar-se as consequências que daí advêm, e a realidade é que o desempenho das mais altas funções nem sempre é compatível com ausências prolongadas, horários flexíveis, e por aí fora. É, aliás, curioso verificar que em muitos dos países nórdicos as mulheres estão novamente a afastar-se de posições que outrora ocuparam, por começarem a perceber os resultados perversos que o movimento de emancipação impensada acarretou, nomeadamente no que diz respeito à educação e formação das mais novas gerações.

Não me querendo alongar mais, resta-me apenas terminar dizendo que, na minha opinião, a igualdade se pode atingir sem ser desta forma. Aquilo que importa é assegurar uma equivalência plena da cidadania, já que tudo o resto deve ser visto à luz da diferença que nos caracteriza, e isto aplica-se a ambos os lados. Um mundo civilizado não é aquele em que homens e mulheres fazem todos as mesmas coisas, mas sim aquele em que, percebendo e explorando as suas diferenças, se continuam a respeitar mutuamente a todos os níveis.
Espero, sinceramente, não ser mal interpretado com este texto. Afinal, não pretendo que esta seja a visão certa do problema, mas antes, que seja a minha visão tornada pública e aberta à discussão.


[P.S. Muito obrigado a todos os que têm perdido algum do seu precioso tempo a ler e comentar o que escrevo. Acredito que nem sempre seja a coisa mais elegante e simpática de se fazer!]

2 comments:

  1. A mim parece-me que em relação à igualdade dos géneros se deve ter em consideração que igualdade não é necessáriamente sermos todos iguais, é sim termos todos igual direito à diferença.

    Por isso discordo completamente de medidas que tentem implementar a igualdade de forma compulsiva, como as leis da paridade ou outras formas de "discriminação positiva", imagine-se que se decreta por lei que uma empresa de construção civil tem que contratar mulheres e homens em igual número.

    Mário, grande abraço, tens aqui um belo estaminé.

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  2. Viva Calão!

    Concordo em pleno com o que dizes, aliás, o meu texto vem no seguimento desta lei da paridade... Também acho ridículo que se comecem a impor condições deste tipo. O exmeplo que deixas da construção civil acaba por ilustrar bem isso!

    Como bem estudamos em Economia, devemos alocar os recursos de forma eficiente, e isso não implica que uns sejam mais importantes do que outros, apenas que desempenham funções distintas.

    A igualdade desmedida, isto é, quando começa a aplicar-se a teor intelectual e específico, é uma arma com efeitos perversos! Faz sentido, sim, no que concerne a condição humana e todos os valores que conhecemos amplamente partilhados!

    É um grande privilégio para mim ter-te aqui a deixar a tua opinião pá! Obrigado!

    Grande abraço para ti!

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